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| Foz do Iguaçu | Fonte: Unila | Fotos: Ilustrativa | 12 de Junho de 2018

Marco das 3 Fronteiras pode ser 1º patrimônio tombado de Foz

O Conselho de Patrimônio Cultural, Histórico, Artístico e Ambiental (Cepac) de Foz do Iguaçu recebeu, em maio, solicitação para a abertura do processo de tombamento do Marco das Três Fronteiras como patrimônio municipal. O pedido é o primeiro a ser feito ao Município e é resultado do trabalho realizado pelo projeto de extensão Tekoha Guasu – Educação Patrimonial Material e Imaterial, desenvolvido pela UNILA desde 2015.

Um documento com a contextualização histórica da construção do Marco e um abaixo-assinado, com 600 assinaturas, foram entregues pelo coordenador do projeto, Pedro Louvain, servidor técnico-administrativo da UNILA, ao presidente da Fundação Cultural de Foz do Iguaçu e do Cepac, Juca Rodrigues, que é estudante da UNILA.

O Marco das Três Fronteiras poderá ser o primeiro bem cultural tombado de Foz do Iguaçu, a partir da Lei Municipal nº 4.470/16, que determina o tombamento, de forma total ou parcial, “dos bens imóveis, móveis e integrados existentes em seu território, de propriedade pública ou particular, que pelo seu valor cultural, histórico, artístico ou ambiental ficam sob a proteção do Poder Público Municipal.” A ideia inicial era pedir o tombamento federal e estadual, mas a aprovação da Lei 4.470, em 2016, motivou a troca de objetivo.

A escolha do Marco foi feita pelos estudantes do Colégio Estadual Ayrton Senna da Silva, em 2014, primeiro colégio a participar do projeto de extensão. Os alunos receberam informações sobre a história e importância de alguns bens imóveis do Município, como o Marco das Três Fronteiras; o Grêmio Esportivo e Social de Foz do Iguaçu (Gresfi), que foi o primeiro aeroporto da cidade; o antigo Hotel Cassino, onde hoje funciona o Senac; e a Base da Marinha. Depois disso, fizeram a escolha daquele que seria objeto de uma campanha pelo tombamento do Marco das Três Fronteiras. “O tombamento é um instrumento de salvaguarda, reconhecimento oficial de que aquele bem é portador de memória coletiva”, argumenta Louvain, lembrando que, a partir do tombamento, o bem imóvel fica protegido por regras e protocolos para o uso e manutenção.

Para ele, falta a Foz do Iguaçu o reconhecimento de seu patrimônio cultural, diferente do que acontece com o patrimônio natural, que é bastante valorizado. “O cultural tem a ver com a ação do homem”, diz, lembrando que o Paraná todo tem apenas 15 bens imóveis tombados, muito pouco em relação a outros estados como Minas Gerais e Bahia, por exemplo, que têm mais de 200 bens tombados.

Obelisco pronto com o acampamento da comissão binacional ao fundo. Foto de Henrique Morize – Acervo MAST“O caso específico do Marco das Três Fronteiras é a sua relação direta com a história da cidade. Foi erguido antes até da fundação da cidade, mas a história do obelisco não está sendo contada”, constata. Os marcos brasileiro e argentino foram os últimos dos 310 instalados entre 1902 e 1903, ao longo de 25 km da fronteira seca, para celebrar um acordo pacífico numa disputa territorial entre Brasil e Argentina. A colocação começou em Uruguaiana, no Rio Grande do Sul, e terminou no Porto Meira, em Foz do Iguaçu.

“Resumidamente, o Marco simboliza a resolução pacífica de um conflito territorial. Isso para a gente é uma riqueza muito grande”, comenta, lembrando que, na época, a guerra era a solução primeira para conflitos de fronteira. No caso de Brasil e Argentina houve uma arbitragem, e a colocação dos marcos fronteiriços foi feita por uma comissão binacional formada por engenheiros, pedreiros, militares, médicos e outros profissionais. “Essa história tem de ser contada pela relevância histórica do obelisco e porque ele é portador de um simbolismo que representa a fraternidade entre Brasil e Argentina”, reforça Louvain.

Parte do caminho foi feita pelo Rio Iguaçu. Foto de Henrique Morize – Acervo MAST.Uma curiosidade é que toda a expedição, que durou dois anos, foi registrada por fotografias. Por sorte, a comitiva teve o acompanhamento de um astrônomo, que devia orientar os deslocamentos – “o GPS da época”, brinca Louvain. Além de astrônomo, Henrique Morize era um dos poucos brasileiros que gostavam e faziam fotos no início do século 20. “E aí ele veio fotografando toda a expedição e a colocação dos marcos na fronteira seca”, comemora Louvain. As fotos, hoje, estão no acervo do Museu de Astronomia e Ciências Afins (Mast), localizado no Rio de Janeiro.

Pedro Louvain explica que, a partir do projeto Tekoha Guasu, haveria condições de pedir o tombamento de outros bens da cidade, mas a ideia é abrir o caminho para que moradores de Foz do Iguaçu possam se manifestar a respeito. “Nossa intenção foi dar o pontapé inicial, mostrar o caminho das pedras e deixar um precedente para que outras pessoas em Foz do Iguaçu peçam os próximos tombamentos de bens”, explica. “As pessoas que moram em Foz do Iguaçu têm mais ressonância com o patrimônio que muitos de nós, que encabeçamos o projeto e viemos de fora”, completa.

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